“Quando você compra um iPhone, você compra a experiência de ter um iPhone"
O iPhone é um dos smartphones mais populares no mundo por ter conseguido inovar onde antes parecia não haver mais espaço para aperfeiçoamento. O aparelho apresentou funcionalidades que - mesmo não existindo antes - se tornaram básicas para todo smartphone que veio depois dele. O sucesso é confirmado não apenas pelos consumidores, mas também por dados da International Data Corporation (IDC), empresa de consultoria internacional da área de tecnologia.
O relatório da IDC revela que o sistema operacional dos celulares da Apple - o iOS - tem mais usuários do que todos os outros juntos, com exceção dos aparelhos Android. Alguns dos motivos que atraem tanta gente é a busca pela simplicidade capaz de tornar a usabilidade agradável e o leque de possibilidades que o celular apresenta.
No lançamento do primeiro iPhone, em 2007, o então presidente da Apple, Steve Jobs, apresentou o smartphone como “três produtos revolucionários em um só”. O aparelho reuniria características de um iPod - o tocador de músicas em MP3 da Apple -, além de ser um celular e “um dispositivo pioneiro de comunicações pela internet”. “Estão entendendo? Não são três aparelhos separados, é um aparelho só. E ele se chama iPhone”, disse Jobs durante o lançamento.
Para a estudante de arquitetura Ana Paula Oliveira, o iPhone conseguiu realizar algo próximo do ideal imaginado por Steve Jobs para o aparelho. Mais que isso, o celular se tornou uma das principais ferramentas tecnológicas no seu dia a dia. “Tendo acesso a rede Wi-Fi, o iPhone é quase um computador. Eu praticamente não uso mais o PC, faço tudo pelo celular”, afirma Ana Paula, que diz só usar o desktop para trabalhar. “O iPhone até tem algumas das ferramentas de trabalho. Se precisar mexer em algo urgente e não tiver um computador por perto, o iPhone resolve”, comenta a estudante.
Com design simples e pouquíssimos botões, o iPhone foi capaz de deixar o uso do celular mais produtivo e prazeroso. “Inovação modifica comportamentos e os aparelhos da Apple fizeram isso”, afirma o CEO da empresa de desenvolvimento de aplicativos Meantime, Guilherme Cavalcanti. O empresário identifica o design e a própria proposição de ser inovador - característica tipicamente atribuída aos produtos da Apple - como aspectos que levaram ao crescimento da base de consumidores do smartphone. “Por exemplo, o touchscreen já existia antes, mas foi levado a um novo nível de experiência do usuário”, comenta.
Estagiário em uma empresa de administração, o universitário Jorge Diogo Costa é outro seduzido pelo smartphone da maçã. Ele avalia que o aparelho é mais do que apenas um telefone, mas uma questão até de investimento em imagem pessoal. “Quando você compra um iPhone, não é apenas pela qualidade, que é muito boa” admite o estudante. “Quando você compra um iPhone, você compra a experiência de ter um iPhone. É questão de status”, afirma.
App Store e iOS
Outro fator determinante no sucesso dos produtos da família iOS da Apple – iPod Touch, iPhone e iPad - é a loja virtual App Store. Os apps oferecem não apenas jogos e programas ligados ao entretenimento, mas também ferramentas que auxiliam no cotidiano, como softwares empresariais e até mesmo científicos. Inaugurada em julho de 2008, a App Store alcançou um bilhão de downloads pouco mais de nove meses após seu lançamento.
“No mundo dos smartphones, há dois produtos importantes na popularização dos aparelhos com acesso a web e funções mais complexas: o Blackberry e o iPhone” afirma Cavalcanti. Segundo ele, o surgimento do iPhone provocou uma ruptura no mercado de smartphones. “Ao contrário da Nokia e da Motorola, que tinham vários aparelhos ao mesmo tempo, a Apple mantinha apenas um, baseando sua aposta na plataforma”, comenta.
Na perspectiva do desenvolvedor de apps, a plataforma única para os produtos mobile da Apple, o sistema operacional iOS, facilita a programação. “Antes, a gente fazia um aplicativo e tinha que adaptá-lo para vários aparelhos diferentes, com tamanhos de telas, botões e funções próprias”, afirma Cavalcanti.