De segunda a sábado, Renata Bezerra de Melo aborda os destaques políticos. Os domingos ficam com Ricardo Dantas Barreto.
Os gestos falam por si. Antes de Eduardo Campos ir ao gabinete do senador Jarbas Vasconcelos, em Brasília, distensionar as relações, a pretexto de pedir apoio à votação de financiamento do Banco Mundial para Pernambuco, o ex-governador já havia votado favorável a matérias semelhantes sem que o socialista fosse lá pedir. Leia-se: a rota de aproximação foi “calculada” e não uma cordialidade aleatória. Quem decidiu contar esse lado da história foi o próprio senador, que, até então, vinha tratando do assunto com o cuidado de não dar uma dimensão maior, o que deixava no ar um tom de que a movimentação teria sido protocolar. Foi mais que isso e, embora os gestos falem, Jarbas verbalizou com mais detalhes: “Eu provoquei isso para que aqueles das gerações que me sucedem - Mendonça Filho, Raul Henry, Jarbinhas, possam respirar melhor do que eu. Fiz o gesto pelos que vêm atrás de mim”. E explica: “Durante anos, respirei radicalismo no Estado. O fato de, há tempos, eu não ter diálogo com Eduardo, um governador ousado e bem aprovado, gerava resistência de vários setores da sociedade até a conversar com nomes do meu campo”. Jarbas não disputa mais eleição majoritária no Estado. Chegou perto de Eduardo para “distensionar”. Botando os pingos nos “is”, realça que uma aliança com o socialista para 2012 seria “muito complicada”.
E quanto a 2014? - Jarbas - com o jeito contido, de quem costuma ficar distante da Imprensa quando não quer holofotes sobre determinado assunto, exatamente porque, quando indagado, não consegue ficar calado nem omitir a verdade - responde: “Para 2014 a gente pode conversar, mas, não houve tratativa sobre isso”.
Há de ceder - Jarbas sempre rechaçou que praticasse a rinha na política ou a política do atraso, aspectos atribuídos a ele por Eduardo, durante a campanha de 2010, quando os dois se enfrentaram. O ex-governador, ao relevar tais críticas feitas pelo socialista, admite que, em Política, em qualquer costura, é preciso fazer concessões. “Ele, talvez, muito mais que eu”.
Um dos gestos - Em entrevista recente ao UOL, Jarbas fez uma coisa que não se recomenda na política: disse o que o adversário deveria fazer. Sugeriu ao socialista que, para ele alcançar os planos de voo nacional, teria de mostrar ao eleitorado que, embora parceiro de Lula, tem formas de atuação diferentes das do PT.
24 horas na rede - A equipe de monitoramento do Palácio das Princesas acompanha incessantemente a presença de Eduardo Campos nas redes sociais. Há dados dando conta de que o socialista é citado entre cinco e sete mil vezes por dia em todo Brasil, incluindo Twitter, FaceBook, Youtube e Flickr. O índice de considerações favoráveis é de 95%.
Razões de Sérgio - O PSDB já foi assediado por Fernando Bezerra Filho em Petrolina. E há uma mágoa, segundo tucanos, do presidente Sérgio Guerra com o prefeito Júlio Lóssio. O dirigente, na última eleição teria aberto mão dos votos para si em prol de Osvaldo Coelho. Mas contava com apoio a Terezinha Nunes que, no fim, só teve 500 votos lá.
Curtas
Temendo.. .- Em Caruaru, há a seguinte preocupação com a situação tensa entre José Queiroz e João Lyra: as duas vezes que a Frente perdeu a eleição para o DEM perdeu rachada. Temem que o episódio de 2008 em Petrolina se repita em Caruaru.
...um... - Naquele ano, Odacy Amorim, então prefeito, teve que ir a prévias com Gonzaga Patriota, vencedor das primárias, mas derrotado na eleição. No fim, quem levou a prefeitura foi um nome da oposição, Júlio Lóssio.
...repeteco - Há um detalhe: se isso se repetir, Eduardo Campos não será mais o governador em 2014, o que pode tornar mais difícil reverter um eventual cenário adverso mais para frente.
Anúncio - Pode ocorrer, hoje, o anúncio de apoio de mais três legendas a pré-candidatura de Fernando Filho em Petrolina. Caminham para uma aliança com o socialista: PDT, PSD e PR. O PTB também pode formalizar.