De segunda a sábado, o jornalista Inaldo Sampaio comenta os bastidores da política e seus desdobramentos (inaldo@inaldosampaio.com.br).
Nos últimos 10 anos, Pernambuco nunca vivenciou uma seca igual à deste ano de 2012. Já estamos no quarto mês do ano e o inverno no Agreste e no Sertão, que normalmente começa em janeiro, ainda não se iniciou. Vinte nove municípios dessas duas regiões já se encontram em “situação de emergência” porque o que choveu até agora não foi suficiente sequer para salvar a agricultura de subsistência, isto é, o milho e o feijão. Os prefeitos estão desesperados e pedindo socorro ao governador.
Eduardo Campos, por sua vez, pediu socorro a Dilma Rousseff, que deverá reunir-se hoje em Aracaju com os governadores nordestinos, e vários ministros, para uma discussão sobre o problema. Um plano de emergência deverá ser anunciado, porém diferente daqueles do passado que consistiam na abertura de “frentes de emergência” para o alistamento de agricultores, que ao final do mês recebiam uma “esmola” do governo e nada de concreto produziam em favor deles mesmos.
Como o próprio nome diz, plano emergencial é socorro provisório que não vai resolver o problema d’água de centenas de povoados, vilas e distritos, nem do perímetro urbano de dezenas de cidades do interior. Solução definitiva só com as duas novas adutoras que estão projetadas, uma para o Agreste e outra para o Sertão, para levar água do rio São Francisco a todo o interior pernambucano. Não custa lembrar que todas as cidades de Sergipe já são abastecidas pelo “velho Chico”.
Piso superior - A prefeitura da pequenina Itaquitinga vai pagar aos professores do município, a partir de maio, um piso salarial superior ao que foi estabelecido pelo MEC: R$ 1470,00. O do MEC é R$ 1.451,00. O prefeito Geovani Oliveira é o único de Pernambuco filiado ao PMN.
Pão com pão - Gonzaga Patriota deve emplacar o filho, Gennedy, como candidato a vice de Petrolina na chapa encabeçada por Fernando Filho. Embora ambos sejam do PSB, a chapa não é considerada “pão com pão”. Porque, em Petrolina, os grupos têm sua individualidade.
Operação 1 - O prefeito Fernando Moreira (PTB) estava em Juazeiro (CE) quando a Polícia Federal chegou a Paudalho, 6ª passada, para apreender computadores e documentos. Ele se coloca à disposição da PF e da CGU para dar todas as explicações e diz que sua gestão não celebrou nenhum convênio com a Funasa, alvo da “Operação Resgate”, e sim a gestão passada.
Operação 2 - Quem também se diz “tranquilo” em relação à “Operação Resgate” é o prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti PTB), cujo secretário de obras, Eduardo Lima, seria uma pessoa de confiança do superintendente da Funasa, Alcio Pitt. Apesar de não temer investigação da CGU, o prefeito ficou chateado pelo fato de a “Operação” ter ocorrido em seu último ano de mandato.
O lazer - O show de Chico Buarque no Teatro Guararapes foi visto por diversos políticos da Frente Popular. Além de Eduardo Campos, foram aplaudir o autor de “A Banda” o deputado Maurício Rands (PT), o senador Armando Monteiro (PTB) e o prefeito José Queiroz (PDT).
Pró unidade - A tese defendida por Roberto Magalhães (DEM) de que as Oposições deveriam lançar um só candidato à prefeitura do Recife começa a ser encarada com mais seriedade pelos pré-candidatos Mendonça Filho (DEM), Raul Henry (PMDB) e Raul Jungmann (PPS).
Sem lugar - O presidente do PSD do Recife, José Neves, que já foi vereador e presidente do Santa Cruz, teve desagradável surpresa, sábado, quando chegou ao Estádio do Arruda para assistir ao show de Paul McCartney. Ele comprou ingresso de cadeira mas não achou lugar para sentar porque foram vendidos mais ingressos do que os assentos disponíveis. E curtiu o show em pé.
O equilíbrio - Certo de que vencerá as prévias do PT e terá o apoio da ala do partido que está apoiando Maurício Rands, o prefeito João da Costa tem tido o máximo de cuidado para não dirigir uma única crítica ao senador Humberto Costa e ao deputado federal João Paulo. E até agora tem conseguido.
A pressão - A mídia pressiona o STF, e o presidente Carlos Ayres Brito engoliu a corda, para julgar até agosto o processo do “mensalão”. Mas nunca é tarde para lembrar que por causa de um inquérito feito às pressas o próprio STF não aceitou uma denúncia do Ministério Público Federal contra Collor (1993).