Política

Folha de Pernambuco


Inaldo Sampaio

Fogo Cruzado

De segunda a sábado, o jornalista Inaldo Sampaio comenta os bastidores da política e seus desdobramentos (inaldo@inal­do­sam­paio.com.br).

 

Às ruas, de novo, 21 anos depois

O Recife assistirá, amanhã, a um protesto de estudantes por um “transporte público de qualidade”. Na maioria das capitais onde houve mobilização nas últimas 48 horas, o protesto teve como foco a redução do preço das passagens de ônibus. Todavia, o governador Eduardo Campos se antecipou e a exemplo dos prefeitos de Porto Alegre, Cuiabá e João Pessoa mandou reduzir em 10 centavos o preço da passagem do anel “A”, que cairá de R$ 2,25 para R$ 2,15 a partir de amanhã.

O principal motivo dos protestos, que começaram por Santa Catarina, foi de fato o preço das passagens. Mas ainda é cedo para interpretar em toda sua plenitude o que levou 300 mil pessoas às ruas do Brasil, na última segunda-feira, sem que houvesse por trás dessas manifestações um partido político ou uma liderança popular de grande expressão. É como se os jovens quisessem externar um sentimento de inconformismo que estava adormecido dentro deles há pelo menos duas décadas.

Não é um movimento de contestação ao governo Dilma nem a favor do partido “A” ou do partido “B”. É um grito de protesto contra tudo que eles entendem estar errado, hoje, no Brasil como a corrupção generalizada, a impunidade, o envelhecimento das instituições, a falta de representatividade dos partidos, a inflação, o mau funcionamento do sistema público de saúde, etc. O preço das passagens foi só o estopim para que eles voltassem às ruas 21 anos após o impeachment de Collor.

O velho - Graças a seu “feeling” aguçado, Eduardo Campos vem dizendo há mais de seis meses que o povo cansou da “velha política” e quer iniciar um debate sobre um “novo Brasil”, ainda que os partidos da base governista se neguem a fazê-lo. Parece até que estava adivinhando.

O novo
- Pesquisa do Datafolha junto aos manifestantes de SP apurou que 84% deles não têm preferência por partidos. Daí ser difícil prever, hoje, qual dos três pré-candidatos a presidente da República poderia capitalizar a insatisfação dos jovens: Aécio, Marina ou Eduardo Campos?

O revide
- O prefeito tucano Elias Go­mes (Jaboatão) resolveu tomar as dores de Aécio Neves, acusado por Guilherme Uchoa (PDT) de não ter família e, como tal, não ser um bom candidato a presidente da Repúbli­ca. Elias considerou “infeliz” a frase do deputado e diz que Aécio foi bom presidente da Câmara, ótimo governador de MG e está sendo um bom presidente do PSDB.

A redução - Sem saberem que haveria protestos em 11 capitais contra o aumento das passagens de ônibus, os prefeitos Elias Gomes (Jaboatão) e Júlio Lossio (Petrolina) obrigaram os empresários de transporte coletivo de suas cidades a baixarem o preço delas, repassando para os usuários o benefício que receberam da União: isenção do PIS/ Confins (3,5% no custo final).

A origem - Francisco Papaléo (PSD), novo presidente do IRH (Instituto de Recursos Humanos), pertence a uma tradicional família de políticos do Pajeú: os tios Valdecir Arruda e Antonio Souza Filho foram prefeito de Iguaracy. O irmão Giovani fundou e dirige a Uptown Band.

A decisão - Quem conversou com Eduardo Cam­pos nos últimos dias saiu do gabinete dele com esta impressão: ele não sabe se será candidato ou não a presidente da República, nem quem vai ser o candidato à sucessão dele em 2014. Só sabe que não disputará com o ex-presidente Lula.

À cidade - Defensor da emancipação de Dormentes, distrito de Petrolina, aonde nasceu, o deputado Odacy Amorim (PT) garante que ele tem “viabilidade econômica” para virar cidade e diz por quê: “É 100% saneado, tem mais de 2 mil hectares de terra irrigados e  um Hospital Municipal”. E depois esnobou: “O Recife tem algum Hospital Municipal?”

A saúde - O núcleo do governo reuniu-se on­tem para fazer o monitoramento das finanças estaduais. O Estado já comprometeu 43% de sua capacidade de endividamento, mas pode comprometer até 16% de sua receita corrente líquida. Em tese, pode pedir emprestado mais uns R$ 2 bilhões.

A isenção - Por exigência da Fifa, a União, os estados e os municípios foram proibidos de cobrar impostos das obras da Copa. Isso fez com que a prefeitura de São Lourenço deixasse de arrecadar R$ 30 milhões de ISS referente aos R$ 600 milhões que foram gastos na Arena Pernambuco.


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