Economia

CATENDE

Leilão de usina é remarcado

14/06/2012 01:08 - AMANDA SOUZA Especial para a Folha

A história da falência da Usina Catende ganhou um novo capítulo. Marcado para acontecer ontem, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, o leilão do Parque Industrial da Massa Falida da Usina Catende não atraiu compradores. Por este motivo, um novo leilão está marcado para o dia 31 de julho, no mesmo local. O lance mínimo de arrematação, que estava previsto para R$ 100 milhões, agora será de R$ 65 milhões, de acordo com decisão do juiz da 18ª Vara Cível da Capital, Silvio Romero Beltrão.

“Nós já demos um despacho marcando uma nova data para o leilão. Desta vez, será retirado o Goodwill, ou seja, a capacidade da empresa de gerar lucros. Agora, será vendido somente o valor material”, explicou Beltrão. De acordo com as novas determinações, serão leiloados a planta industrial, a propriedade rural Engenho Catende, o grupo de quatro geradores, os veículos e tratores e as máquinas agrícolas. A marca “Usina Catende” terá seu valor reavaliado e se tornará objeto de outro leilão.

De acordo com o juiz, o novo valor está mais atrativo e deve atrair compradores. No entanto, os presidentes do Sindicato dos Cultivadores da Cana-de-açúcar de Pernambuco (Sindicape) e da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Gerson Carneiro Leão e Alexandre Andrade Lima, respectivamente, discordam dessa opinião. “Ainda está caro e longe da realidade. O que nós queremos é encontrar um grupo idôneo para assumir a usina, ou mesmo criar uma cooperativa de trabalhadores e fornecedores para isso”, analisou Leão. “A gente já esperava que o leilão não fosse acontecer, porque o valor estava supervalorizado. Este novo valor também está superavaliado. A nossa avaliação figura entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões”, ponderou Andrade.

O juiz Silvio Romero afirmou ainda que, se o segundo leilão não obtiver êxito, “a usina deverá ser arrendada para que ela não fique parada e acabe se deteriorando”. Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha, “o importante é que, ocorrendo ou não o leilão, os bens de capital permaneçam no mesmo lugar, para que a geração e a circulação de renda fiquem no local”.