Programa

Fragmentos de um Gonzagão contemporâneo

“Baixio dos Doidos”, em Caruaru, faz recorte pop da obra de Lua

14/06/2012 01:04 - Talles Colatino

Helder Ferrer/Divulgação
Fotografias de sertanejos na instalação “Asa Branca”

Se hoje a figura e a música de Luiz Gonzaga possui uma imponente atmosfera de tradição, na memória da produtora Lina Rosa a imagem não é bem essa. A diretora de criação da Aliança Comunicação  teve a oportunidade de conhecer o Rei do Baião na infância, através do programa “Noite do Black Tie”, apresentado na TV Jornal do Commercio. E, na sua percepção infantil, a figura imponente, com gibão e chapéu de vaqueiro, chamava sua atenção como um ícone moderno, pop. É com essas reminiscências afetivas que ela idealizou a exposição “Baixio dos Doidos”, que estreia amanhã, na Vila do Forró, em Caruaru.

O nome da mostra faz referência direta ao nome do povoado em que Gonzagão nasceu, em 1912, hoje conhecido como Timorante, na fazenda Caiçara, em Exu. A proposta da mostra é abordar a universalidade da obra de Luiz Gonzaga através de oito instalações - uma para cada canção do mestre. São elas: “ABC do Sertão”, “Respeita Januário”, “Siri Jogando Bola”, “Xote das Meninas”, “Paraíba”, “Samarica Parteira”, “Asa Branca” e “A Morte do Vaqueiro”. Cada instalação, que conjugará artes visuais, fotografia e música, será montada em um container.

Arnaldo Antunes, Otto, Jorge Du Peixe, Rhaissa Bittar, Naná Vasconcelos, Dominguinhos, Renato Borghetti, Arlindo dos 8 Baixos, além de instrumentistas internacionais, foram escalados para contribuir com a mostra. Sob a direção musical de Carlinhos Borges e direção de produção de Gracinha Melo, eles foram convidados para recriar as canções de Gonzaga de forma que respeitassem sua estrutura melódica original e flertasse com a proposta de cada instalação. A montagem terá ensaios fotográficos de Helder Ferrer.

Para além das habituais referências regionais, automaticamente ativadas ao se referir a Gonzaga, a exposição pretende alcançar uma tradução moderna dos universos de suas canções. No espaço “ABC do Sertão”, por exemplo, a voz de Arnaldo Antunes se mistura às palavras projetadas na parede, como forma de descortinar o vocabulário “nordestinês”. Em “Resposta a Januário”, Helder Ferrer registrou diferentes tipos de fole e versões da música feitas por Dominguinhos, Arlindo dos 8 Baixos, Regis Gizavo (músico de Madagascar que gravou a faixa no dialeto da sua região), entre outros, serão executadas.

No espaço “Asa Branca”, serão mostrados retratos de sertanejos de olhos verdes (para estimular um contraponto entre o regional e o universal) e a versão erudita da música. Já em “Paraíba”, imagens e depoimentos de drag queens sobre o seu apreço pelas músicas de Gonzagão serão exibidos, junto com um remixe da música feita por Otto. A exposição ficará em cartaz de amanhã até 15 de julho, com entrada gratuita.