Recife, 19 de Junho de 2013
ROMA (EFE e Folhapress) - Enquanto isso, a polêmica continua concentrada no capitão do cruzeiro, Francesco Schettino, que já passou a primeira noite em sua casa desde a última terça-feira, depois que a juíza que se encarrega do caso, Valeria Montesarchio, decidiu sua libertação e decretou prisão domiciliar ao considerar que não existe risco de fuga nem de contaminação de provas como sustenta a Promotoria de Grosseto. O promotor-chefe dessa cidade italiana, Francesco Verusio, que acusa Schettino de abandono de navio, homicídio múltiplo e naufrágio, falou ontem aos jornalistas que recorrerá da decisão da juíza de instrução. O capitão errou “na manobra, no abandono da nave, por não ter dirigido as operações de resgate, não ter dado nenhuma ordem. Acho que seu comportamento foi inqualificável e imperdoável”, comentou o promotor.
De acordo com o documento no qual a juíza ordenou a prisão domiciliar, o capitão deixou a embarcação quando a bordo da mesma permaneciam “pelo menos uma centena de pessoas”. Ela afirmou ainda que o capitão do cruzeiro ficou sobre um cais na ilha italiana de Giglio vendo como o navio afundava antes do término da evacuação. “É evidente e indiscutível a grave evidência e incompetência da conduta do capitão” assinalou Valeria, considerando que Schettino “não pôde não perceber a importância do dano”.
Baseada em depoimentos feitos na investigação, ela concluiu que “existem indícios graves” dos delitos pelos que a Promotoria acusa Schettino. Porém, a juíza não viu indícios de tentativa de fuga nem contaminação das apurações, recusando o pedido da promotoria de prisão preventiva. Ela revelou que o comandante disse ter abandonado a embarcação quando permaneciam a bordo “pelo menos mil pessoas”. No entanto, a juíza destacou que Schettino não tentou voltar às proximidades da embarcação após o abandono. As autoridades informaram ontem que uma das turistas alemãs que estavam desaparecidas se apresentou à polícia de seu país e que um dos cinco corpos encontrados ontem é de um tripulante húngaro.




