PROTESTO

Reajuste será debatido nesta sexta

Polêmica gira em torno do percentual de 17,20% sugerido pelas empresas

19/01/2012 01:45 - JULIANA ARETAKIS - da editoria de Grande Recife

Diego Nigro/Arquivo Folha

ATUALMENTE, cerca de dois milhões de pessoas utilizam transporte público na RMR


Reprodução
Panfleto convoca população para protesto

Os membros do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) se reunem nesta sexta (20), no Grande Recife Consórcio de Transporte, para discutir o reajuste das passagens de ônibus. O assunto vem causando polêmica desde que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) solicitou um aumento de 17,20% em cima dos valores praticados hoje. Depois de quatro anos com reajuste seguindo a inflação do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que neste ano ficou em 6,5%, o Sindicato pediu o acréscimo acima da média justificando um aumento nos gastos do setor. O pedido levou o CSTM a convocar a reunião.

Desde 2008, segundo o Grande Recife Consórcio, o Governo do Estado adotou o IPCA co­mo balizador do reajuste para o transporte público de passageiros, a fim de dar transparên­cia ao processo. Ainda segundo o Consórcio, antes da data eram utilizados percentuais apontados por planilhas técnicas construídas pelo setor. A prática gerava questionamentos e um maior ônus ao usuário. Atualmente, cerca dois milhões de pessoas utilizam diariamente o transporte público na Região Metropolitana do Recife.

Recife é uma das capitais com a tarifa de ônibus mais bai­xa do Brasil, com o valor cobra­do pelo Anel A de R$ 2. Po­rém, de acordo com o Urbana-PE, as maiores cargas tributárias e as taxas de gratuidade, que no Recife, segundo o Sindicato, ultrapassam 50% do valor da tarifa, são fatores contribuintes para o aumento.

Um dos pontos criticados pe­la população contrária ao aumento é o índice de 17,20%, considerado abusivo. Do outro lado, o presidente do Urbana-PE, Fernando Bandeira, acredita que o acréscimo é necessário. “Nos últimos anos foi usado o índice do IPCA, que está em 6,5%. Porém, essa inflação não representa necessariamente a inflação do segmento de transporte. Nós fizemos os cálculos com base em uma planilha usada em todo o País. Tivemos mais custos com carro, com o combustível, pneus. Somos prestadores de serviço e tivemos aumento dos custos”.

Sobre as queixas dos usuários referentes à má qualidade dos serviços oferecidos, Bandeira informou que melhorias já foram feitas. “Nós renovamos 400 ônibus de nossa frota e, hoje, temos uma das melhores do Brasil. Nosso transporte não é de má qualidade pelo preço que se paga para que ele seja executado”, argumentou.

Caso o reajuste siga a inflação do IPCA, as tarifas podem subir de R$ 2, o Anel A, para R$ 2,15. O Anel B passaria de R$ 3,10 para R$ 3,30. Já os anéis D e G, com custo hoje, de R$ 2,45 e R$ 1,30 passariam para R$ 2,60 e R$ 1,40, respectivamente. Po­rém, se o valor solicitado pela Urbana-PE for atendido, os anéis A e B subirão para R$ 2,35 e R$ 3,60, enquanto os D e G passarão a valer R$ 2,85 e R$ 1,85.

Além da discussão sobre o reajuste tarifário, vai ser apresentada a proposta de calendário das reuniões do Conselho que serão realizadas em 2012. A posse dos novos conselheiros  está prevista durante a reunião. As cadeiras representadas pelo secretário de Transportes de Olinda e Com­panhia Brasileira de Trens Urbanos de Pernambuco, serão representadas por Marcos Albuquerque Belfort e Ricardo Esberard Albuquerque Beltrão, respectivamente.



Cartello