O colunista escreve neste espaço todos os domingos sobre os assuntos mais comentados da Economia (guedes@rosenberg.com.br)
É bem distinta a realidade dos setores industrial e varejista no Brasil. Enquanto as vendas dispararam no varejo, a indústria passa por um processo de estagnação na produção.
Muitos industriais com a elevada perda de competitividade decidiram pelo modelo de se converterem em distribuidores, importando as mercadorias e vendendo-as sem imputar os elevadíssimos custos com salários sem ganhos de produtividade, encargos sociais, gargalos logísticos que inviabilizaram setores como o têxtil, calçados, entre outros.
Os empresários passaram a direcionar seus esforços para uma agenda de busca por inovação produzida no exterior com política de compra de importados eficiente para garantir uma boa margem sem os riscos associados a produção.
Infelizmente, o Brasil passa por um importante processo de desindustrialização que afeta o cenário de médio e longo prazo. A medição do índice de confiança dos empresários da Indústria reflete um ambiente de incertezas nos negócios amplificado pelo excesso de intervenção do governo na economia.
Para os próximos anos o modelo baseado em nível de investimento reduzido com foco no consumo deve levar o país a taxas de crescimento baixas, próximas a 3%, afetadas também pela necessidade de ajustar à política monetária a inflação que começa a corroer os ganhos obtidos nos últimos anos.
O atual patamar de juros reais de 2% deve ser revisto principalmente após as eleições de 2014, voltando a níveis entre 3% e 4%.
Um dos gargalos para o crescimento está na qualificação da mão de obra, problema que vem sendo resolvido com a importação, mas estruturalmente mesmo com um investimento qualificado nesta área os resultados são de longo prazo. No quadro atual, a escassez de oferta de mão de obra qualificada associada a um aumento da formalização leva ao aumento dos custos de produção, diminuindo a competitividade das empresas. O processo de desindustrialização deve ser intensificado. Por outro lado, felizmente, a conjuntura internacional deve melhorar com a retomada do crescimento mundial, mesmo que em níveis inferiores ao período pré-crise.
Os Estados Unidos passam por um processo de recuperação com aumento de produção de petróleo e gás e uso de novas energias alternativas. Deve recuperar parte da competitividade perdida na crise. Na Europa, a Alemanha continua o processo de liderança da região com crescimento e contas públicas saneadas.
Para o Brasil, os atuais desequilíbrios podem ser revertidos. Há uma nítida agenda de oportunidades que podem se materializar se houver visão estratégica, algo que anda em falta no atual governo.
Luiz Fernando Guedes Pereira Filho
Sócio-diretor da Rosenberg & Associados
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