Cultura

Folha de Pernambuco


Solange Paraíso

Vida Saudável

A nutricionista Solange Paraíso divide esta coluna com o médico Ney Cavalcanti. Aqui eles apresentam temas relacionados à nutrição e à saúde.

Há qualidade de vida nas corporações?

Há poucos dias nosso grupo de trabalho participou, como plateia, do I Fórum de Qualidade de Vida do SESI. Durante pouco mais de seis horas, um auditório lotado se regozijou com palestras e debates acerca de experiências bem-sucedidas de empresas e profissionais que investiram na qualidade de vida de seus colaboradores. A ideia que norteia tais ações é focada na promoção de saúde, tendo como público-alvo os indivíduos economicamente ativos e inseridos no mercado de trabalho formal, como indústrias, por exemplo. Em geral, o investimento dos gestores em programas de qualidade de vida advém da constatação dos montantes gastos anualmente pelas empresas, face às ocorrências de doenças que levam os indivíduos a se afastarem do trabalho, e a outras consequências de maior gravidade.

Como profissional de saúde, gratifico-me ao observar (e intermediar) a repercussão positiva que tais programas podem ter para os trabalhadores, famílias e comunidade. É claro que o ganho material representado pelo “não adoecer” já significa muito; a partir do monitoramento de riscos, é possível evitar ou, pelo menos, adiar, o surgimento de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, depressão, etc. E mesmo quando se mostrar inevitável a instalação desses males, buscam-se formas de lidar com eles, preservando-se, ao máximo, a qualidade de vida de homens e mulheres, seja qual for a classe social a que pertençam. Pelo que se vê, o sucesso de tais programas é consequência da otimização das ações educativas que resultam, a priori, do engajamento de todos os protagonistas: o indivíduo (ou colaborador da empresa, como se define atualmente), os profissionais que compõem a equipe multidisciplinar, os gestores, e a família.

No tal evento (o Fórum), houve unanimidade quanto à inserção da premissa (zelar pela qualidade de vida de seus colaboradores) na própria missão institucional da empresa. Que avanço, hein? Ao invés de se enxergar o indivíduo como apenas uma “peça” funcional na emblemática linha de montagem – no melhor estilo “Tempos Modernos” de Carlitos, projetamos hoje o homem feliz, ciente, inclusive, do que lhe compete para legitimar o respectivo engajamento.

Se for analisada superficialmente, a proposta parece utópica. Como ser feliz num mundo corporativo tão competitivo, e cercado, ainda por cima, deste caos composto por estresses e desafios de toda natureza? Contudo, as experiências demonstram que isso é possível, desde que haja intervenções planejadas e fundamentadas com a devida seriedade, e onde o sentido de equipe e de pertencimento a uma entidade sólida (a empresa) sejam incentivados.

Na minha área de atuação, é comum o desânimo das pessoas, frente à forte hereditariedade para obesidade, hipertensão arterial e diabetes. Digo-lhes, como argumento para a adesão às orientações dietéticas, que, se de um lado, a genética tem poder, de outro restam-lhes (às pessoas) inúmeros e bons resultados a partir da adoção de um estilo de vida saudável (como a alimentação adequada, prática regular de atividade física, sono restaurador, resgate da autoestima, gerenciamento do estresse, cultivo de bons relacionamentos, cultura, lazer ativo, etc). Quando a empresa – pública ou privada – investe na qualidade de vida dos seus colaboradores, caminha a passos largos para o progresso que não é meramente representado pelas cifras monetárias. Investir no homem como ser integral legitima o seu valor enquanto entidade complexa que é, em todas as suas dimensões: física, mental, moral, social e espiritual.
 


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