Murilo Guimarães é experiente enófilo e trata do universo do vinho de todo o mundo.
Continuo andando pela Itália. Embora, lastimavelmente, só em “pensamentos, palavras e obras (textuais)”. Sem pecado, leitor, que gostar de vinho italiano é quase uma indulgência eterna. Tá bom, exagerei (e como!), mas com certeza dá bastante satisfação e saúde, o que já é de muito bom tamanho. Hoje meu caminho segue pela Toscana, fixando-se em um trecho da velha estrada chamada Via dei Sette Ponti, que há séculos liga Arezzo a Florença. Nome que toma das suas sete pontes sobre o rio Arno, uma das quais reproduzida por Leonardo da Vinci em sua obra-prima, a Mona Lisa (brinque de procurar lá no quadro). E é justo esta ponte que foi escolhida para embelezar o site (www.tenutasetteponti.it) e publicações da Tenuta Sette Ponti. Cuja história passa por príncipes e princesas da casa de Savoia d’Aosta até chegar às mãos da família Moretti, atual proprietária, que iniciou sua produção de vinhos próprios em 1997. Posteriormente os Moretti adquiriram propriedades em Maremma (Poggio al Lupo) e Bolgheri (Orma), esta vizinha dos grandes supertoscanos Sassicaia e Ornellaia.
São 330 hectares, dos quais cerca de 50 plantados por videiras. Onde, além da Sangiovese, típica uva da Toscana, estão cultivadas também castas “internacionais”, ou se preferir, “francesas”, como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot. O portfólio é relativamente pequeno, mas a qualidade é bem grande. Foi isso que constatamos em um recente jantar degustação que ocorreu no ótimo restaurante Wiella Bistrô, cuja comida, como de costume, estava deliciosa. No comando, além de Luiz Figueiredo e Marco Antonio, da Lacomex, o Diretor de Exportação da Tenuta, Stefano Maginni. Como diria um típico paulista, “magina” como foi bom! Degustamos quatro vinhos tintos, todos da safra 2009 e IGT (Indicazione Geografica Tipica), denominação de qualidade na Itália:
- Crognolo, corte de Sangiovese (90%) e Cabernet Sauvignon (10%), maturado em barricas francesas por 12 a 18 meses.
- Poggio al Lupo (R$ 175), mescla de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, e Alicante (ou Garnacha) – casta de origem francesa, bem comum em Portugal, também encontrada na região costal da Toscana (Maremma), de onde provém este vinho, amadurecido 20 meses em barricas de carvalho.
- Orma (R$ 243), corte de Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc (característico de Bordeaux), que amadurece 14 meses em carvalho francês, por alguns degustadores considerado o melhor da noite. Recebeu 93 pontos (grande nota) do Robert Parker.
- Oreno (R$ 285), mistura de Merlot, Cabernet Sauvignon e Sangiovese, amadurecido 18 meses em carvalho francês, é o carro-chefe da Tenuta Sette Ponti. Merecedor de 94+ pontos e rasgados elogios do Robert Parker, que estima que sua maturidade pode atingir 2029, é um excelente e longevo vinho.
Poxa, “vinhos caros”, você pode estar dizendo, leitor. De fato, temos que mexer um pouco mais na carteira. E quem não está mexendo, com essa inflação da Dilma? Porém, há sempre aquela história da relação qualidade-preço, nesse caso muito alta, visto que os produtos desta vinícola italiana são ótimos. Encare! E faça um tim, tim, brinde à vida (que só temos uma).