Cultura

Folha de Pernambuco


Alex

Alex na Folha

Aos domingos e terças-feiras, o jornalista Alex traz suas crônicas literárias e faz um passeio pelas artes e pela sociedade pernambucana.

O longo caminho em si mesmo

Quando eu era jovem e enfrentava o medo e a insegurança próprios da idade de quem ainda não conquistou um futuro, lembrava aquelas figuras de adultos e idosos bem sucedidos que encontrava nas visitas às famílias conhecidas. E dizia para mim mesmo: será que um dia ficarei assim? Bem sucedido na profissão, seguro de si mesmo, com dinheiro para dar estabilidade e oportunismo à família.

Quando eu era jovem admirava aquelas figuras, austeras, que nem precisavam assinar um papel para garantir a sua honestidade. Sim, admirava aquelas que não transigiam diante de certas situações. Que preferiam ter prejuízos, enfrentar aborrecimentos, mas tomavam sempre as decisões que a própria consciência ditava.

A maturidade, dizia eu, deve ser aquilo.

Aquela firmeza, aquela confiança em si mesmo e no seu caráter.

Quando estavam com a consciência e certos de que haviam tomado a decisão correta e nem temiam os desafios nem as mesquinharias da vida.

Depois, quando passamos por muitas lutas para atingirmos metas, quando deixamos injustiças, sofrimentos e incompreensões pelo caminho, quando somam-se vitórias e destaques e pensamos ter sedimentados um caráter, torna-se diferente.

Digamos um profissional que, durante 30 anos, batalhou para conquistar a credibilidade, ele tem de ser fiel a essa imagem.
Voltaremos ao meu caso particular para atingir o geral.

Quando o tipo de profissão torna-se uma figura conhecida, sem poder se esconder atrás de portas, quando estas crônicas não permitem esconder sentimentos, creio que somos levados até o plano daquelas pessoas que citei no começo da crônica, as figuras maduras e serenas, fiéis em si mesmas e que tanto admirava quando jovem.
Essa perspectiva não permite a um jornalista - digamos - se dar ao luxo de mentir.

Ele tem de escrever o que pensa, tem de se posicionar diante dos fatos. É o que tenho tentado dizer aqui neste espaço. Dizer o que penso, tal como fiz diante da falta de personalidade de algumas pessoas quando têm de decorar um apartamento e o jogo de aparências entre a real futilidade se instala em muitas situações e detalhes onde a falta de uma personalidade faz muita falta.

*Continua domingo, 23.06.2013


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