














Diante de todos os protestos contra o aumento do valor das passagens de ônibus, o governador Eduardo Campos recebeu, nesta quarta-feira (25), um grupo de 27 líderes estudantis, no Palácio do Campo das Princesas. No encontro, ficou decidido que será ampliada a participação do movimento estudantil no Conselho Metropolitano de Transportes Urbanos (CMTU) e realizada uma reunião extraordinária do Conselho para discutir a pauta de reivindicações apresentada, marcada para o dia 20 de março.
O encontro de Eduardo com as lideranças estudantis começou com a entrega de uma carta assinada por seis entidades com 15 pontos de reivindicação. Entre as propostas elencadas, além da inclusão dos estudantes no CMTU, estava o direito à meia passagem para aqueles que utilizam o transporte intermunicipal; gratuidade para cotistas e estudantes do Prouni e o aumento nos créditos do Cartão VEM, que hoje dá direito a 70 passagens por mês.
Por duas horas e meia, várias lideranças puderam expor suas reivindicações e, após ouvi-las, o governador assegurou que a pauta entregue pelo movimento “será uma prioridade do governo”. Eduardo Campos também reiterou o pedido de desculpas por qualquer ação arbitrária cometida pela polícia e afirmou que não vai transigir em caso de excessos cometidos pelos policiais. “Quem garante isso a vocês é o governador que já exonerou mais de 300 maus policiais”, disparou.
Antes e durante esse encontro, uma multidão tomava conta das ruas do Recife em uma caminhada pacífica, que teve a adesão da população, que, na Conde da Boa Vista, por meio das janelas dos prédios, jogava papeis picados e aplaudia o ato. Motoristas buzinavam e acenavam para a grande massa que se misturava aos jovens. Segundo a Polícia Militar, cerca de 1,5 mil pessoas participaram. A caminhada começou às 14h30 e durou cerca de quatro horas.
Todo o ato foi acompanhado por 300 policiais militares, 13 motocicletas da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) e outras do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPtran). O Batalhão de Choque não apareceu. Eles saíram da rua do Hospício, seguiram pela Conde da Boa Vista, chegando na avenida Agamenon Magalhães e retornando para a Conde da Boa Vista. Durante esse percurso, eles ficaram parados em vários cruzamentos.
Na Conde da Boa Vista, fecharam toda a avenida, quando chegaram no cruzamento com a rua da Soledade, onde aconteceu um dos confrontos da última segunda-feira (23), eles pararam e mostravam os cartazes aos que passavam e também para os policiais, além de entregar flores. Já na Agamenon, pararam o trânsito por mais de 20 minutos, o que chegou a deixar alguns motoristas nervosos.
O retorno para a Conde da Boa Vista era no sentido de chegar até o Palácio do Campo das Princesas. Para isso, seguiram pela ponte Duarte Coelho, avenida Guararapes e Dantas Barreto. Na frente do Palácio, grades impediam uma maior aproximação deles. Policiais cercavam o prédio, mas não impediram os gritos de protesto dos jovens. Com a derrubada de uma das grades, uma pequena confusão se armou, sendo controlada no mesmo momento. Eles permaneceram lá por quase uma hora, gritando frases de insatisfação.
Enquanto isso, outra parte se estabeleceu na ponte Princesa Isabel, impedindo o trânsito por mais de meia hora. Motoristas tinham que desviar para conseguir prosseguir a viagem. Muitos populares caminhavam entre as ruas na tentativa de conseguir chegar até a sua parada de ônibus. A cidade parou e o trânsito ficou completamente conturbado.
Quando tudo parecia normalizar, um pequeno grupo, de menos de 80 pessoas, decidiu interditar novamente o cruzamento da Ponte Duarte Coelho com a rua da Aurora. Eram 19h quando resolveram dispersar com a promessa de que na próxima sexta-feira (27) um novo protesto deve ser realizado, às 13h. Mas, ainda às 21h30, o trânsito da avenida Conde da Boa Vista seguia interditado por poucos manifestantes, e a mobilidade na cidade ficou ainda mais comprometida. Nesta quinta-feira (26), o movimento deve se reunir para decidir como será realizado esse novo ato.
População apoia protesto, mas se irrita com dificuldade de chegar em casa
Mesmo apoiando os protestos, no início da noite, a população parecia já não ter mais paciência. Desde as 18h na parada de ônibus, Juliana Melissa de Lima, de 29 anos, não tinha nenhuma previsão de chegar em casa. “Vim do Marco Zero até a rua da Aurora para tentar pegar o ônibus. São mais de 19h e nada. Em dias normais, chego em casa às 18h30”, desabafou. Segundo ela, a preocupação vem também em relação à segurança. “Os cheira-cola e trombadinhas aproveitam a situação para roubar. Enquanto eu estava aqui na parada, muitos passaram correndo por aqui”, destacou.