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Centenário Luiz Gonzaga

Generosidade também era marca de Seu Lua
Sanfoneiro chegou a começar parceria para construir oficina de mestre do couro


Artesão vendeu terreno que adquirira para a construção de prédio

Do tanto que tinha de exigente, Luiz Gonzaga possuía o dobro em generosidade. O que estivesse ao seu alcance, não media esforço para ajudar um amigo ou parente a crescer na vida. Gostava de amparar quem precisava, não somente com bens materiais. Uma história marcante, pouco conhecida, é a que envolveu o artesão José Aprijo Lopes, o Seu Aprijo, a quem Luiz Gonzaga havia prometido construir um prédio, em Ouricuri, onde funcionaria o escritório e a oficina do mestre do couro.

O projeto chegou a sair do papel, com Aprijo dando o pontapé inicial na compra do terreno, a pedido do próprio Luiz Gonzaga. Feliz, o artesão estava prestes a realizar o sonho, de ter um ateliê mais confortável e espaçoso. “Seu Luiz me apresentou uns empresários, em um almoço lá em Exu. Me abraçaram e disseram que me ajudariam a colocar em pé o prédio”, conta o artesão. Caso faltasse dinheiro para a construção, o Velho Lua teria dito a Aprijo que destinaria a renda de um show que faria em Caruaru para iniciar a obra.

O tempo passou e com ele veio uma série de problemas de saúde do Rei do Baião. Os compromissos assumidos por Luiz Gonzaga já não tinham validade e nem quem tomasse a frente. “Na época ele já estava mais pra lá do que pra cá. Esse show em Caruaru não chegou a acontecer. Aí fiquei pensando naquilo durante um tempo. Aguardei, mas não deu certo. Não cheguei à conclusão da fábrica”, lamenta Aprijo.

Sem recursos para dar prosseguimento ao projeto, o artesão decidiu vender o terreno que adquirira para a construção o prédio. Antes disso, já após a morte de Luiz Gonzaga, ainda se encontrou com Gonzaguinha, que lutava para terminar o museu do pai, no Parque Aza Branca, em Exu. Aprijo contou a história ao filho do sanfoneiro, mas Gonzaguinha foi direto, sem arrodeios. “Olhe, Aprijo, eu sei que ele prometeu muita coisa, mas eu não vou assumir nada que ele prometeu. Então fiquei na minha, não insisti”.

Até hoje o artesão lembra com mágoa daquele encontro com Gonzaguinha, mas compreende que ele, sozinho, não tinha condições de tomar a frente dos compromissos assumidos pelo pai. Com a morte do cantor carioca, menos de dois após a de Seu Luiz, Aprijo decidiu enterrar de vez o projeto da construção do prédio.

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